quarta-feira, 17 de julho de 2013

há séculos sou assim.

A minha solidão não é deste mundo. É como se carregasse algo há séculos nos ombros... no coração, então, sem se fala... Meu coração pesa há tanto tempo que eu nem sei. É como se eu conhecesse a lua desde pequenina. eu a vi crescer. eu a vi chorar tantas vezes... já brigamos e nos amamos tantas vezes... O meu amor não é deste mundo. Ele vem de longe, muito longe. Carrego comigo tanto amor como um burro carrega a carga. E não consegue soltar sem que alguém apareça para tirar. O meu coração não é deste mundo. Ele já está tão grande e tão velho que nem sei... meu coração pesa tanto dentro do peito. e sofre como se estivesse partido em mil. A minha dor não é de agora. Ela queima dentro de mim, transformando meus órgãos em cinzas, estilhaços. Minhas lágrimas não são por você. Elas estão há tanto tempo dentro de mim... nem sei... é como se continuamente, sem interrupção, eu estivesse chorando por algo que nunca tive, pelos sonhos frustrados, pelos amores falsos, pelos amargos das comidas que provei e me decepcionei... sabe? não tem água, não tem bebida, não tem saliva que tire esse amargo da minha língua... como se eu, constantemente, vivesse a mesma vida de séculos. Carrego essa dor há séculos. Nosso coração não muda. Nossa alma é a mesma. Como há séculos e séculos e séculos... eu não devo ser deste mundo.

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