domingo, 25 de maio de 2008


"Não sei como me defender dessa ternura que cresce escondido e, de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo. Tão inesperada quanto a vontade de ferir, e com o mesmo ímpeto, a mesma densidade. Mas é mais frustrante. Sempre encontro a quem magoar com uma palavra ou um gesto. Mas nunca alguém que eu possa acariciar os cabelos, apertar a mão ou deitar a cabeça no ombro. Sempre o mesmo círculo vicioso: da solidão nasce a ternura, da ternura frustrada a agressão, e da agressividade torna a surgir a solidão. Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim."



é muito estranha essa ciranda... é exatamente isso... é tão fácil sentir ternura, é tão simples alguém mexer comigo... sinto tanto carinho, tanto afeto... que nem sei !!
Me magoo fácil também... e daí nasce a agressão... que depois se transforma novamente em carinho, por causa da solidão...
é isso !! não sei como será daqui pra frente...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Fragmento da vida.


* Não parava de pensar em ti enquanto dirigia. Eu te enxergava constantemente. Às vezes, uma parte de ti.

# Que parte?

* O pescoço.

# O pescoço?

* Sim.

# Sentia falta do meu pescoço?

* Sentia falta de ti inteira, mas por algum motivo teu pescoço me aparecia de vez em quando. E por culpa de teu pescoço, não parei de chorar.

# Choravas?

* Sim, chorava. Como uma criança. Não podia controlar. Começava a chorar de repente e logo parava... E depois, outra vez, voltava d enovo. Durante milhas e milhas. Não podia parar de chorar. Passavam por mim alguns carros e as pessoas me olhavam. Tinha a cara desfigurada. Não podia controlar.



Minhas incertezas.

Minhas vontades loucas.